domingo, 25 de abril de 2021

TEM MOVIMENTOS SUBVERSIVOS OPERANDO NO BRASIL!


 

Nos anos de chumbo os generais de plantão perseguiram as famosas e alardeadas organizações subversivas, bem como seus integrantes, também subversivos. Tudo isto para alívio dos pais e mães de classe média, uma vez que – dizia-se – esses elementos devoravam criancinhas. Criancinhas vivas e cruas. Um horror!

Em sua intentona patriótica... Ôpa! Intentona é outra coisa! Em sua cruzada (ficou melhor) patriótica perseguiram estudantes, torturaram à vontade, mataram à revelia.

Lá nos recantos do meu Rio Casca não se sabia muito sobre tudo isto. O povo trabalhador entendia que subversivo era gente aliada ao Coisa Ruim. Pessoas que buscavam transformar nosso querido país numa tal de Cuba ou, pior, numa tal de URSS (sigla cujo significado era muito intrincado para se entender).

Mas um fato era certo: a luta era do bem contra o mal, tal como nos cordéis poetizados por nossos grandes literatos populares nordestinos.

Aí vêm os dicionários – diversos deles – a estabelecer de forma praticamente igual, o significado da odiosa palavra SUBVERSIVO. Segundo eles este palavrão tem o sentido de “...aquele que subverte...” ou “...aquele que prega ou executa atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida...” ou ainda, o mesmo que “revolucionário”.

Neste momento veio-me à mente alguém que fez coisa semelhante: Jesus Cristo. Não! Devo estar errado. Isto porque os subversivos na ditadura brasileira pretendiam derrubar o governo! Ousavam desobedecer às normas patrioticamente impostas pelos generais! Não!

Agora falando sério (oi, Chico!), estou tendo a impressão de que movimentos subversivos estão agindo à solta no Brasil neste exato momento.

Apoderaram-se clandestinamente de políticas históricas de governos anteriores, que objetivavam o combate à fome.

Afrontaram normas governamentais atuais que cercearam nos orçamentos os recursos financeiros destinados ao atendimento de miseráveis e famintos.

Desconsideraram que os perdões de dívidas bilionárias de igrejas consumiram recursos do Estado.

Nem se preocuparam com as isenções cedidas gentilmente aos barões do agronegócio, sustentáculos de nosso louvado neoliberalismo.

Fizeram tudo isto à luz do dia, em ato claramente atentatório à estrutura organizacional do Estado e suas diretrizes administrativas.  

Isto é verdadeiramente SUBVERSÃO.

Corajosamente listarei a seguir alguns desses MOVIMENTOS SUBVERSIVOS em atuação no Brasil:    

1)- O tal Movimento Sem Terra – MST, não obstante ter sido classificado como terrorista (uma categoria acima dos subversivos) doou 3,4 mil toneladas de alimentos a famintos neste país.

https://revistaforum.com.br/noticias/terroristas-em-resposta-a-bolsonaro-mst-ressalta-que-ja-doou-mais-de-34-mil-toneladas-de-alimentos-na-pandemia/

2)- Um outro, o tal do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST lançou um projeto denominado Cozinhas Solidárias, destinado a fornecer ao menos uma refeição diária a tantos que podem ter escapado momentaneamente da Covid, mas não escaparam da fome.

https://psol50.org.br/cozinhas-solidarias-do-mtst-combatem-a-fome-nas-periferias-em-plena-pandemia/

 Ainda veio a tal Central Única das Favelas – CUFA, com o projeto Panela Cheia Salva, destinado a alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade social (expressão politicamente correta para designar miséria e fome mesmo).

https://www.cufa.org.br/noticia.php?n=ODMw

https://www.panelacheiasalva.com.br/

Além de muitas outras organizações sociais autônomas e brotadas direto de nosso solo, sem adubos governamentais temos ainda o projeto Tem Gente Com Fome, cujo título já nos dá seu próprio sentido.

https://www.temgentecomfome.com.br/

Pois é gente, cuidem-se os cônsules... Vai que um movimento desses resolva sequestrar um deles...

Enquanto isto, todas as organizações acima e tantas outras que têm em suas alças de mira a fome, a desnutrição, o desemprego, a miséria e o abandono carecem de nossa ajuda. Não importa o quanto. Importa a atenção, importa a consciência (esta sim patriótica).

Quato à ordem legal, posso garantir que ninguém será processado pela LSN (Louvados Sejamos Nós).  


quarta-feira, 7 de abril de 2021

TIMOR LESTE: A CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO




Mais uma publicação de autoria de Pablo Lanna, desta vez com importante artigo no livro TIMOR LESTE - A CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO. Vide a partir de fls. 279 da obra.

12. Contribuições do Fundo Monetário Internacional–(FMI) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para a reconstrução da paz em situações pós-conflito (279)

Pablo Henrique Hubner De Lanna Costa

Disponível para venda em

https://www.editoradplacido.com.br/


terça-feira, 9 de março de 2021


 

Importantíssima palestra de nosso ex-sócio, Pablo Lanna, advogado e mestre em Direito Constitucional, sobre tema atual, principalmente para Minas Gerais, tão sofrida com a intensa mineração. No Youtube/Ambiental Informe. IMPERDÍVEL!!!

segunda-feira, 8 de março de 2021

Nossa modesta homenagem 
a todas as mulheres do planeta, 
especialmente àquelas 
com quem temos convivido durante 2.020/2021.
Parabéns!!!!!  


 

sábado, 4 de julho de 2020

ADÚ - UM EXCELENTE LANÇAMENTO DA NETFLIX




Adú é um filme espanhol lançado em janeiro de 2020 produzido por Netflix e lançado pelo streaming no final de junho último.

Trata-se de um drama que conta com roteiro de Alejandro Hernández e direção de Salvador Calvo. No papel principal o menino Moustapha Oumarou, africano de Benin, cujo personagem conta com apenas seis anos, mas vive aventuras impressionantes até para adultos experimentados. O ator enfrenta com segurança sua atuação e, considerando-se sua idade real, revela-se um verdadeiro ator. 

O filme conta com um roteiro primoroso. Hernández (O Autor, 1898 – Os Últimos das Filipinas e Criminal Espanha) conta as histórias e desventuras do pequeno Adú, que atravessa com imensas dificuldades boa parte da África, envolvendo-se involuntariamente em riscos, perigos e tragédias em busca de seu pai.

O roteirista cria a narrativa em três óticas diversas, sutilmente interligadas, mas que mantêm interessante vida própria. Aliás, sutileza é a palavra para definir a condução firme da história do princípio até o final. Há detalhes para os quais será necessária razoável atenção do expectador, sob pena de perda de características importantíssimas para o enredo. Em suma, um grande roteiro, na lista dos melhores já apresentados pela Netflix.

 Na direção o relativamente inexperiente Salvador Calvo (1898 – Os Últimos das Filipinas, Maras, The Duchess) enfrenta um roteiro que enfoca diversas realidades africanas e um drama pungente com muita categoria. O diretor mantém o filme sem permitir que descambe para o drama piegas ou as atrocidades explícitas. Dirige aparentemente da forma em que o roteirista deseja, perpassando os momentos de forte dramaticidade, tristeza e cenas atrozes sutilmente reveladas na película. A relativa leveza da direção não impede que sejam vertidas algumas lágrimas nos olhos dos mais emotivos. Uma direção realmente primorosa.

Temas extremamente importantes e atuais para a realidade africana, como a proteção da fauna, as constantes guerras civis e milícias violentas convivem com a extrema pobreza endêmica no continente. Tema como a exploração sexual e a AIDS também estão presentes superficialmente na narrativa. Esses tópicos são exibidos com relação a diversas nações, bem como sua submissão aos colonizadores, no filme principalmente os espanhóis.

Adú junta-se a Beast of No Nation e Hotel Ruanda como algumas das melhores produções cinematográficas já feitas demonstrando a dura realidade do continente africano.

Não sou especialista em cinema, mas em minha modesta condição de amante da Sétima Arte permito-me sugerir Adú como fortíssimo concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2021.

A seguir o trailer oficial: 

https://www.youtube.com/watch?v=9Y2ZI3Rg_OA



quarta-feira, 15 de abril de 2020

BRASIL – ESSE INFERNAL REINO DA BUROCRACIA




O Estado brasileiro não somente é caro para seus contribuintes. É mau também, principalmente com os manos favorecidos e que, pelo menos teoricamente precisariam mais de seu apoio.
Instalou-se em nosso país um verdadeiro Reino da Burocracia que espreita a cada movimento social, a cada prática trabalhista e a cada necessidade do cidadão. Na maioria das vezes as exigências burocráticas vêm acompanhadas de mais custos, mais obrigações financeiras ao cidadão, além do imenso tempo despendido a cada investida.
Centenas são os exemplos, mas abordaremos apenas alguns, a título de relembrança para todos nós.
Quem não se lembra que a partir de 1997 o licenciamento anual de veículos tinha que ser acompanhado por um detestável selo a ser afixado no para-brisas dos veículos? O famigerado passou a constituir-se na verdadeira regularização fiscal do veículo. De nada adiantava que o proprietário pagasse suas obrigações fiscais ao Detran se aquele ícone não estivesse devidamente afixado.
E em 1998 o detestável kit de primeiros socorros, que deveria conter, ao espírito da lei, dois rolos de ataduras de crepe, um rolo pequeno de e3sparadrapo, dois pacotes de gaze, uma bandagem de algodão triangular, dois pares de luvas de procedimento e uma tesoura de ponta romba. Tudo isto devidamente acondicionado em um recipiente adequado. Não precisamos dizer que, ato contínuo à obrigação legal, tais equipamentos passaram a custar até vinte vezes seu preço normal.
E a ininteligível Declaração de Isento à Receita Federal, criada em 2008? Segundo ela, aqueles cidadãos que não atingiam a renda mínima para sua declaração de rendimentos anual precisariam dizer isto ao órgão público. Ou seja, milhões de documentos e toneladas de papel eram encaminhados à Secretaria da Receita Federal – devidamente processados – informando simplesmente que não precisariam declarar!!! Parece piada, mas não é.
Tem muito mais. Em 2014 tivemos o imbróglio que mais pareceu uma brincadeira de mau gosto, obrigando os proprietários a trocar os extintores de incêndio até então utilizados, do modelo “BC” pelos do modelo “ABC”. Além da vogal adicionada, ninguém era capaz de dizer a razão de tal modificação,. Soubemos todos, evidentemente, que tal manobra resultaria em um gasto considerável, pois os “BC” nada valiam enquanto os “ABC” eram realmente caros. Recheados os bolsos dos fabricantes de tais equipamentos, ambos passaram a ser dispensáveis...
Vamos parar por aqui nos exemplos e focar nossas atenções à atual exigência de “regularização do CPF” imposta a quem deseja se beneficiar do auxílio governamental de R$ 600,00 fartamente divulgado pela mídia. Iniciemos com uma pergunta:
Quais as “irregularidades” existentes nos CPFs de milhões de brasileiros?

Muito simples. Vou exemplificar aqui o caso de alguém de meu conhecimento e que se encontra com tal dificuldade, situação similar a de tantos milhões. Todos os dados constantes de seus cadastros na Receita Federal e em outros órgãos federais estão regulares e idênticos. EXCETO UM: em um deles o nome de sua genitora está grafado AURELINA e em outro AURELINDA.

Um poderosíssimo “D” converte algo que seria de simplicidade franciscana em um calvário de dificuldades. Ah! Diriam alguns: poderiam ser duas pessoas diversas. Como assim, respondo eu, se o nome do pai, data de nascimento, nacionalidade, naturalidade, nome, sobrenome e impressão digital são rigorosamente idênticos?
Mas há o poderoso “D” a infernizar a cidadã em nome do Reino Infernal da burocracia brasileira.

São problemas dessa dimensão que têm levado milhões de brasileiros às filas da Receita e dos bancos em busca da tal “regularização”, qual um pote de ouro no final do arco íris...

Felizmente temos notícia de que a Justiça Federal do Distrito Federal determinou a suspensão dessa patética exigência, em decisão ainda passível de recurso.
E nosso povo sofrido, mal remunerado, carente de saneamento básico, vítima de uma estrutura de saúde deficiente, passageiro de inadequados transportes urbanos leva sua vida sorridente.

Uma cervejinha no fim de semana, a pelada do sábado e outras míseras benesses permitem que ele possua alguma mobilidade sob a opressão desse reino que não lhe devolve uma justa parcela daquilo que lhe toma.   

E agora as três míseras parcelas...

Apenas R$ 1.800,00, mas que jamais passariam despercebidos pelos burocratas sempre atentos em seu plantão...