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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

THE DEATH OF STALIN


Divulgado o trailer de um filme que, possivelmente, vai gerar polêmica: The Death of Stalin. Trata-se de uma sátira sobre a morte do líver soviético e a consequente briga para controle da URSS.

No elenco, dentre outros, Steve Buscemi, já conhecido por suas participações em Fargo (irmãos Cohen), Armageddon (Michael Bay), O Regresso (Alejandro Iñárritu), Os Oito Odiados, além do grande Pulp Fiction (ambos de Quentin Tarantino).

Outro ator também de destaque na trama é Michael Palin, mais conhecido por participar do impagável grupo inglês Monty Python, com seu humor iconoclasta e non sense.

A direção fica por conta de Armando Iannucci ( diretor da comédia In the Loop e dos sitcoms The Thick of It e Veep).

É possível que a obra sofra exploração política no Brasil, tendo em vista a polarização ideológica que vivemos, que às vezes beira a irracionalidade. Mas, independente disto, é salutar que personalidades históricas e eventos que influíram nos rumos da humanidade  sofram apreciação satírica inteligente. Assim foi com Hitler, Kim Jong-un, George Bush, Donald Trump e outros. 

Especialistas o consideram uma “comédia ácida”, o que já nos adianta o que virá. É sugestivo o cartaz onde se retrata um cabo de guerra  com os bigodes do líder comunista.

O filme será apresentado no Festival de Toronto em setembro e tem estreia prevista para outubro em Londres. A partir daí será distribuído para o resto do mundo, devendo aportar no Brasil no início de 2018.

É uma grata novidade que chamou-me a atenção pelo ineditismo de uma produção que foge do cinema excessivamente tecnológico (e muitas vezes vazio de conteúdo) que tem inundado o mundo.

É sempre bom rirmos de nossos ícones, de nosso mundo e, especialmente, de nós mesmos.

A seguir, o endereço do trailer oficial: 






sábado, 14 de abril de 2012

Genocídio portenho


Ontem as agências de notícias publicaram confissão do ex-presidente Jorge Videla (ditador na Argentina de 1976 a 1981) de que realmente foi o responsável por aproximadamente oito mil assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos naquele país. Trata-se de um verdadeiro genocídio que, somado a outros crimes similares cometidos pelos demais ditadores portenhos revela o horror das ditaduras, semelhantes em qualquer lugar do mundo.

A notícia, ao contrário do que possamos pensar, não se circunscreve às fronteiras argentinas. A Operação Condor - hoje conhecida em detalhes -, reuniu as ditaduras de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai em uma verdadeira associação do mal, onde táticas de guerra e de tortura eram trocadas, assassinados cometidos além das próprias fronteiras, desafetos eram perseguidos onde estivessem, enfim, um verdadeiro sindicato do crime. Assim, nossos ditadores domésticos no mínimo foram condescendentes com o terror praticado pelo Estado argentino naqueles momentos.

Como em vários outros casos similares, os carrascos institucionalizados desculpam a si mesmos pelas barbaridades praticadas. Cinicamente Videla informou que "Não havia outra solução. Na cúpula militar estávamos de acordo que era o preço a se pagar para ganhar a guerra contra a subversão e precisávamos de um método que não fosse evidente, para que a sociedade não o percebesse”.

Esta é a tônica de qualquer regime de exceção: o ditador de plantão julga mesmo que detém o direito e o mandato para agir conforme seus desejos. As aspirações da sociedade são simples detalhes a serem manipulados conforme julguem necessário. Assim, todo ditador julga-se Deus (ou no máximo enviado dele), como ocorreu com Hitler, alter ego de todos eles.

Continuou o monstro portenho: "Tenho peso na alma, mas não estou arrependido de nada. Gostaria de fazer esta contribuição para que a sociedade saiba o que aconteceu e para aliviar a situação de muitos oficiais que atenderam às minhas ordens".

Importante tomarmos conhecimento de tais fatos e da história de nossos vizinhos. O Brasil não é uma ilha, assim como a América do Sul e nem qualquer outra região ou Nação. Buscar a verdade em qualquer momento histórico é um direito de todos nós e um dever das instituições hoje redemocratizadas.

Esta a importância da nossa Comissão da Verdade, que deverá cumprir seu papel de colocar-nos nos trilhos da fidelidade histórica, ainda que seu sabor oscile entre o azedo e o amargo.

Sobre o tema falaremos posteriormente.